De manhãzinha, passo pela da minúscula oficina do chaveiro. A porta da oficina mal passa de um metro de largura... rosto sério, lá está ele, o dono da oficina - magro, bigode grosso, camisa para fora da calça jeans bastante surrada. Antes que apareça o primeiro cliente, e varre o trecho de calçada subtendido pela estreita porta da oficina. E varre meticulosamente, escarafuncha com a vassoura piaçaba as gretas da calçada, e até olha em volta para ver se restou algum cisco.
Varre com o respeito que teria pela sala da sua casa... afinal, é dali, dessa absurda mesmice, que ele tira o pão de cada dia. Não é muito o ganho que entra por aquela porta estreita, mas, é uma vitória conquistada a cada dia... e sem suar o rosto: ele se amolda ao que faz!
Depois, guarda a vassoura num cantinho, e recolhe-se atrás da bancada, a fazer chaves, o dia inteiro... À tarde, vejo-o baixar a porta de ferro da oficina, com todo o cuidado. Dia seguinte, novamente varre a caçada... No circo da vida, ele trilha um círculo do mesmo diâmetro, sempre e sempre... Quem tem como ofício abrir portas, talvez tenha se habituado a não abrir certas portas em si mesmo; dúvidas não ajudam a quem vive da mão para a boca! Ele é a própria reafirmação de que o sujeito é o sujeito inteiro - ele é ele e as suas circunstancias. Eu, ele e as demais pessoas do verbo também - a vida é essa planura aborrecida....
[Penas do Desterro, 07 de novembro de 2009]
sexta-feira, novembro 06, 2009
quarta-feira, agosto 05, 2009
Escrita de sonhos...
Tantas vezes escrevi a partir de sonhos, tantas! Na última, o tema sonhado [e escrito] foi o Amor visitando-me em meu "jardim", na forma de uma belíssima borboleta azul-claro! Como no sonho tudo vale, a borboleta Amor falava comigo - a narrativa poética, uma fábula, está lá, no meu site do Recanto das Letras. Coisa assim, de uma simplicidade de fazer pena! Mas, se sonhei, então sonhei... e escrevi!
quinta-feira, julho 30, 2009
Outra manhã...
segunda-feira, julho 27, 2009
Diário do fim do [meu] mundo...
...ainda a ler Annie Cohen-Solal, "Sartre". Chegando à pág. 400, eu me pergunto: de que me serve, eu estaria bem melhor lendo um romance, biografias é coisa para gente compulsiva - compulsiva de saber mais sobre a vida de um autor, a outra vida, a particular, a que não se mostra claramente nos textos do autor. Será que interessa mesmo saber, por exemplo, as circunstâncias em que Dostoievsky escreveu "Os Irmãos Karamazov"? Será? Não basta a densa beleza da obra em si?
Ah, mas vou ler ACS até o fim, vou sim!
Ah, mas vou ler ACS até o fim, vou sim!
Esta viagem Infernal de longa
E naquela tarde em que eu corria para a serraria, eu olha o azul do céu e pensava que o mundo era para sempre, que todo o prazer ao meu dispor era afundar meu corpo no monte de serragem fria, e viajar, perdido, no aroma da madeira recém cortada.
Ah, como estou longe de casa, e como dura esta viagem! Será isto, o inferno?
Ah, como estou longe de casa, e como dura esta viagem! Será isto, o inferno?
sábado, julho 25, 2009
Quem me sentiria...
... E na verdade, que sentimento se desenha na minha fisonomia, neste apagar das luzes? E se algum sentimento se expressa em minha face, quem poderia percebê-lo? Por que tenho esta preocupação, ou esta necessidade descabida de ser sentido por alguém?
quinta-feira, julho 23, 2009
Diário do Fim do [meu] Mundo...
[Para você, é claro!]
Ah, a beleza das mulheres - a voz, os cabelos, as mãos, os pés, a suavidade das curvas, os olhos - perco-me, desoriento-me; em qual traço fixar a minha atenção!? Em cada uma delas, há um traço que sobressai mais! Ah, como a vida é torturante, curta - morro, a minha já vai acabar! Aquela voz que fazem quando me agradecem uma gentileza - "obrigada...!"... huumm... esta simples palavra dita no feminino - loucura! - tenho vontade de ser gentil com elas milhares de vezes por dia, só para ouvir esta "música" - "obrigada..."
Eu sei ser respeitoso em minha admiração pela beleza das mulheres, afinal, elas têm o direito de infestar o mundo de beleza, mas em paz, sem ser molestadas com gracejos, olhares insistentes! Eu não suporto sequer ouvir falar em violências contra as mulheres - será por que fui criado apenas pela minha mãe, viúva cedo na vida?! Vou morrer sem saber por que sou como sou...
Algumas mulheres são como as obras de arte: levam-me ao êxtase, de tão belas! Mas sei bem que devem ser admiradas assim, discretamente, à distância, e se possível, até com boa iluminação, como requer uma obra de arte... Ah, e mais - tenho de me conformar que, tal como uma obra de arte num grande museu, elas vão ficar onde estão, onde querem estar - não posso levá-las pra casa, ficar pra mim! Elas são tantas, tantas... o melhor mesmo é vê-las passar e apenas suspirar, suspirar... resignadamente!
O que faço de mim, o que faço destas minhas idéias? Ah, atiro no fogo, no mar, jogo no lixo - nada valem... eu estou morrendo!
Ah, a beleza das mulheres - a voz, os cabelos, as mãos, os pés, a suavidade das curvas, os olhos - perco-me, desoriento-me; em qual traço fixar a minha atenção!? Em cada uma delas, há um traço que sobressai mais! Ah, como a vida é torturante, curta - morro, a minha já vai acabar! Aquela voz que fazem quando me agradecem uma gentileza - "obrigada...!"... huumm... esta simples palavra dita no feminino - loucura! - tenho vontade de ser gentil com elas milhares de vezes por dia, só para ouvir esta "música" - "obrigada..."
Eu sei ser respeitoso em minha admiração pela beleza das mulheres, afinal, elas têm o direito de infestar o mundo de beleza, mas em paz, sem ser molestadas com gracejos, olhares insistentes! Eu não suporto sequer ouvir falar em violências contra as mulheres - será por que fui criado apenas pela minha mãe, viúva cedo na vida?! Vou morrer sem saber por que sou como sou...
Algumas mulheres são como as obras de arte: levam-me ao êxtase, de tão belas! Mas sei bem que devem ser admiradas assim, discretamente, à distância, e se possível, até com boa iluminação, como requer uma obra de arte... Ah, e mais - tenho de me conformar que, tal como uma obra de arte num grande museu, elas vão ficar onde estão, onde querem estar - não posso levá-las pra casa, ficar pra mim! Elas são tantas, tantas... o melhor mesmo é vê-las passar e apenas suspirar, suspirar... resignadamente!
O que faço de mim, o que faço destas minhas idéias? Ah, atiro no fogo, no mar, jogo no lixo - nada valem... eu estou morrendo!
Definições... definições...
Definições... definições... concluo que não sei sentir "pena", "compaixão" de ninguém - preciso ir ao dicionário para saber o que são estas coisas!
Ah, mas eu exerço a solidariedade, a empatia - isto mesmo, eu as "exerço", pois sou nada mais nada menos que os meus atos. Solidariedade é ajudar o Sísifo que somos cada um de nós a empurrar aquela rocha montanha acima... Sísifo e a sua solidão - ah, como os deuses são cruéis!
Ah, mas eu exerço a solidariedade, a empatia - isto mesmo, eu as "exerço", pois sou nada mais nada menos que os meus atos. Solidariedade é ajudar o Sísifo que somos cada um de nós a empurrar aquela rocha montanha acima... Sísifo e a sua solidão - ah, como os deuses são cruéis!
quarta-feira, julho 22, 2009
Diário do Fim do [meu] Mundo - A ler ACS...
... e continuo a ler Annie Cohen-Solal - Sartre. Que sentido tem ler uma biografia assim, extenssíma, detalhadíssima... quantos dos infinitos detalhes serão fixados na minha mente? Temo que poucos, bem poucos! Ah, e eu que me empenho, a esta altura da vida, em esquecer coisas! Ainda assim, leio... uma biografia nos dá o entorno, as circunstâncias, e talvez, as motivações das obras escritas pelo "biografado" - no caso, isso vai melhorar a minha compreensão de O Ser e o Nada? Tenho dúvidas... quem é o "objeto" Sartre que vai emergir destas páginas?
terça-feira, julho 21, 2009
Dário do Fim do Mundo
[... do fim do MEU mundo, é claro! E o “diário”, sem a obrigação de ser diário, vai sendo reapresentado até... sei lá quando]
21/julho/2009 -
-12h08 - Definições, definições, enquadramentos!! Por que "definimos" tanto se somos seres lançados contra o tempo? Se nunca estamos certos, seguros do que fazer com a hora presente? Eu pergunto apenas; não me interessam respostas! " A vida de uma pessoa é aquilo em que ela pensa, a maior parte do seu tempo de vigília" - a matéria da "edição de hoje", de cada um de nós - óbvio? É - mas não custa repetir! A memória de muita coisa boa já foi esquecida, mas certas ladainhas fúteis que me foram repetidas - não!
19/julho/2009 -
-15h11 - será que os pássaros, as árvores sabem que hoje é domingo? As ruas da cidade sabem, pois até se amortalham para melhor expressar o espírito do dia... E lá na velha fazenda de Minas, casarão do século XIX retirado das pressas dos mundo, eu me angustiava: até o gado sabe que "hoje" é domingo, e fica mais triste!
E certa vez, já nos meus tempos de universidade, eu e um amigo tentamos desinventar o domingo - revoltados contra o tédio, ficamos bebendo num bar da Av. São João até raiar o dia seguinte... pois não deu certo a tal desinvenção! Adivinhem... a segunda-feira de correria de paulistanos apressados nos gritou bem alto que ontem foi domingo, e hoje é hoje, é segunda-feira, dia que não perdoa ninguém - "vão trabalhar, vagabundos!"
Ah, eu quero morrer num domingo, de horas mortas, ruas mortas, flores tristes, céu de chumbo, vazio da vida vindo com tudo que pode de pior assim, de encontro às gentes... massacre do tédio, mas com uma melodia de adeus final!
-05h32 - Ah, perdi o sono - mas pior: os meus pensamentos ainda estão presos lá naquele lugar, naquela rua, naquela casa, e dão sequência ao sonho ruim que me despertou!
18/julho/2009 -
-13h45 - ... escrever isto aqui não tem nenhuma implicação quanto à coerência - sou prevenido! O mesmo digo com relação à transação com este meu velho desconhecido - o meu corpo - "ele" tem cada reação, cada reação... costuma chegar antes mim a certas situações - na estação do desejo, por exemplo!
-06h43 - Acordado, logo cedo, por um grito de socorro, vindo de longe. Grito de alguém que fez suas escolhas, mas não sem ter várias oportunidades de que, com carinho, zelo, envolvimento, parentes e amigos a tentassem levar à reflexão para que agisse de modo a evitar consequências previsíveis dos seus atos - ah, como pode, na "comédia dos erros", a vida ser tão previsível! Agora, o ônus das suas condutas é materializado, neste grito pedindo ajuda, colocando sobre a minha cabeça a escolha: ajudo... ou não ajudo? Pela minha tendência natural, ajo sempre por responsabilidade, quase nunca por compaixão. A vida é ação, e o que mais exige de nós é coragem - ensina Guimarães Rosa.
17/julho/2009 -
-21h42 - Fui fraco. Não, não fui fraco. Fui fraco. Não, não fui fraco. A vida é. A vida não é. A vida é. A vida não é - sopa de pedras! Ah, travem as rodas, segurem essa carroça disparada - quero descer!
-21h35 - Fecho os olhos, pouso o rosto nas palmas das mãos e penso - penso que não valeu a pena - ou ainda vai valer? O que me incomoda é exatamente eu ter esse fio de esperança. Ah, à merda toda e qualquer esperança! Desde quando estou em guerra?!
[Penas do Desterro, 17 de julho de 2009]
****** COMENTÁRIOS *******
O diário é ontem, já foi! Tão bom ler o que foi feito dos seus dias... Não quero escrever o que fiz dos meus dias, não! Eu já os queimei mesmo! Eu acho que farei um futurdiário... Algo onde eu registre todos os dias o que farei amanhã. E não será uma agenda, pois eu tenho horror a elas! Será isso mesmo: um futurdiário! Assim, amanhã ele poderá ser um passadiário de ficcionista ou de fato realista. (vê, até o nome se muda...) Tudo assim; sendo e não sendo... Acontecendo nada daquilo, só metade ou por inteiro. Da segunda, terça ou sexta... Cuidarei que aconteça, conforme o que foi escrito... O futurdiário sim me fará diferença, pois nele colocarei tudo o que sonho! Tudo o que espero da vida que tricoto ponto a ponto até nesse domingo enfadonho! Escreverei que o domingo, este próximo que virá, será de sol, claridades e um pouco mais risonho. Beijo, Paula.
Enviado por Paula em 19/07/2009 21:16
para o texto: Diário do Fim do Mundo (continua...)
Fazia tempo que eu não lia algo assim, com este gosto de riso gostoso e este gosto de escreva mais.Isto é o que chamo de um diário e destaco: "Fui fraco. Não, não fui franco. Fui fraco. Não, não fui fraco. A vida é. Não, a vida não é"... O que pode ser melhor que perceber estas nossas batalhas interiores? Bjos
Enviado por Maria Helena Sleutjes em 19/07/2009 14:07
para o texto: Diário do Fim do Mundo
Excelência em sua prosa! Nossas escolhas podem ser um momento difícil, mas pode render muitoooooo..
Enviado por Teca em 19/07/2009 08:36
para o texto: Diário do Fim do Mundo
Gritos de socorro, pedidos de ajuda... Ás vezes a melhor ajuda é não ajudar, deixar que o peso das escolhas recaiam sobre quem escolheu não nos ouvir... Nem sempre somos responsáveis pela irresponsabilidade alheia. Mas é sempre difícil ignorar os gritos, mesmos quando silenciosos... Bjos e até mais..
Enviado por Clara Mara em 19/07/2009 00:45
para o texto: Diário do Fim do Mundo
21/julho/2009 -
-12h08 - Definições, definições, enquadramentos!! Por que "definimos" tanto se somos seres lançados contra o tempo? Se nunca estamos certos, seguros do que fazer com a hora presente? Eu pergunto apenas; não me interessam respostas! " A vida de uma pessoa é aquilo em que ela pensa, a maior parte do seu tempo de vigília" - a matéria da "edição de hoje", de cada um de nós - óbvio? É - mas não custa repetir! A memória de muita coisa boa já foi esquecida, mas certas ladainhas fúteis que me foram repetidas - não!
19/julho/2009 -
-15h11 - será que os pássaros, as árvores sabem que hoje é domingo? As ruas da cidade sabem, pois até se amortalham para melhor expressar o espírito do dia... E lá na velha fazenda de Minas, casarão do século XIX retirado das pressas dos mundo, eu me angustiava: até o gado sabe que "hoje" é domingo, e fica mais triste!
E certa vez, já nos meus tempos de universidade, eu e um amigo tentamos desinventar o domingo - revoltados contra o tédio, ficamos bebendo num bar da Av. São João até raiar o dia seguinte... pois não deu certo a tal desinvenção! Adivinhem... a segunda-feira de correria de paulistanos apressados nos gritou bem alto que ontem foi domingo, e hoje é hoje, é segunda-feira, dia que não perdoa ninguém - "vão trabalhar, vagabundos!"
Ah, eu quero morrer num domingo, de horas mortas, ruas mortas, flores tristes, céu de chumbo, vazio da vida vindo com tudo que pode de pior assim, de encontro às gentes... massacre do tédio, mas com uma melodia de adeus final!
-05h32 - Ah, perdi o sono - mas pior: os meus pensamentos ainda estão presos lá naquele lugar, naquela rua, naquela casa, e dão sequência ao sonho ruim que me despertou!
18/julho/2009 -
-13h45 - ... escrever isto aqui não tem nenhuma implicação quanto à coerência - sou prevenido! O mesmo digo com relação à transação com este meu velho desconhecido - o meu corpo - "ele" tem cada reação, cada reação... costuma chegar antes mim a certas situações - na estação do desejo, por exemplo!
-06h43 - Acordado, logo cedo, por um grito de socorro, vindo de longe. Grito de alguém que fez suas escolhas, mas não sem ter várias oportunidades de que, com carinho, zelo, envolvimento, parentes e amigos a tentassem levar à reflexão para que agisse de modo a evitar consequências previsíveis dos seus atos - ah, como pode, na "comédia dos erros", a vida ser tão previsível! Agora, o ônus das suas condutas é materializado, neste grito pedindo ajuda, colocando sobre a minha cabeça a escolha: ajudo... ou não ajudo? Pela minha tendência natural, ajo sempre por responsabilidade, quase nunca por compaixão. A vida é ação, e o que mais exige de nós é coragem - ensina Guimarães Rosa.
17/julho/2009 -
-21h42 - Fui fraco. Não, não fui fraco. Fui fraco. Não, não fui fraco. A vida é. A vida não é. A vida é. A vida não é - sopa de pedras! Ah, travem as rodas, segurem essa carroça disparada - quero descer!
-21h35 - Fecho os olhos, pouso o rosto nas palmas das mãos e penso - penso que não valeu a pena - ou ainda vai valer? O que me incomoda é exatamente eu ter esse fio de esperança. Ah, à merda toda e qualquer esperança! Desde quando estou em guerra?!
[Penas do Desterro, 17 de julho de 2009]
****** COMENTÁRIOS *******
O diário é ontem, já foi! Tão bom ler o que foi feito dos seus dias... Não quero escrever o que fiz dos meus dias, não! Eu já os queimei mesmo! Eu acho que farei um futurdiário... Algo onde eu registre todos os dias o que farei amanhã. E não será uma agenda, pois eu tenho horror a elas! Será isso mesmo: um futurdiário! Assim, amanhã ele poderá ser um passadiário de ficcionista ou de fato realista. (vê, até o nome se muda...) Tudo assim; sendo e não sendo... Acontecendo nada daquilo, só metade ou por inteiro. Da segunda, terça ou sexta... Cuidarei que aconteça, conforme o que foi escrito... O futurdiário sim me fará diferença, pois nele colocarei tudo o que sonho! Tudo o que espero da vida que tricoto ponto a ponto até nesse domingo enfadonho! Escreverei que o domingo, este próximo que virá, será de sol, claridades e um pouco mais risonho. Beijo, Paula.
Enviado por Paula em 19/07/2009 21:16
para o texto: Diário do Fim do Mundo (continua...)
Fazia tempo que eu não lia algo assim, com este gosto de riso gostoso e este gosto de escreva mais.Isto é o que chamo de um diário e destaco: "Fui fraco. Não, não fui franco. Fui fraco. Não, não fui fraco. A vida é. Não, a vida não é"... O que pode ser melhor que perceber estas nossas batalhas interiores? Bjos
Enviado por Maria Helena Sleutjes em 19/07/2009 14:07
para o texto: Diário do Fim do Mundo
Excelência em sua prosa! Nossas escolhas podem ser um momento difícil, mas pode render muitoooooo..
Enviado por Teca em 19/07/2009 08:36
para o texto: Diário do Fim do Mundo
Gritos de socorro, pedidos de ajuda... Ás vezes a melhor ajuda é não ajudar, deixar que o peso das escolhas recaiam sobre quem escolheu não nos ouvir... Nem sempre somos responsáveis pela irresponsabilidade alheia. Mas é sempre difícil ignorar os gritos, mesmos quando silenciosos... Bjos e até mais..
Enviado por Clara Mara em 19/07/2009 00:45
para o texto: Diário do Fim do Mundo
quinta-feira, outubro 02, 2008
Distâncias, trajetórias, vertigens
Distâncias... a vida só faz criar distâncias. Abate-me um tédio quase irremediável, e então, penso que devo partir, e parto. Ou separo. Ou corto. Ou dilacero o que não deveria ser dilacerado. Tomo distância do foco, do centro, da matriz, da nutriz antes tão desejada. Afasto-me como se agora eu fora um ponto que se afasta da origem. É claro, falo do pimeiro passo depois do cansaço, da perda de tudo. Falo desse ponto de onde parti pensando num horizonte ficado lá atrás, como aquele ponto onde comecei desenhar a primeira letra de um teto extenso - e há sempre esse primeiro pontinho! Depois, novamente o imponderável, depois, a busca de um foco, de um centro, de uma matriz, uma nutriz de meus desejos neste instante, colocada longe, bem longe, como o fim duma estrada a ser vencida. Depois, outra fuga! Trajetórias: vertigens!
Tudo são vertigens nesta caminhada. O tédio se manifesta na distância de mim até mim, a mais imponderável e insuportável de todas as distâncias. Andar longe de mim é estar longe do que mais gosto, do que mais quero, e fazer do sonho apenas sonho, uma fumaça que se esvaece. Não tenho a obrigação de ser conexo, mas sei que engendro sentidos. Geralmente, tudo acaba mal, e andar longe de mim é jamais conseguir terminar bem terminado o que antes fora começado, seja lá o que fôr! É deixar a frase assim, no "ó"...
Tudo são vertigens nesta caminhada. O tédio se manifesta na distância de mim até mim, a mais imponderável e insuportável de todas as distâncias. Andar longe de mim é estar longe do que mais gosto, do que mais quero, e fazer do sonho apenas sonho, uma fumaça que se esvaece. Não tenho a obrigação de ser conexo, mas sei que engendro sentidos. Geralmente, tudo acaba mal, e andar longe de mim é jamais conseguir terminar bem terminado o que antes fora começado, seja lá o que fôr! É deixar a frase assim, no "ó"...
segunda-feira, setembro 15, 2008
Spinning World
Um repto à sua liberdade: um dia você cria coragem e fala! Um dia. Ou nem isso, pois talvez a vida não lhe dê tempo e corte antes o seu fôlego. Pena, pois só você perde, o resto ri... ou nem ri, só vai em frente. O gozo que podia ter... e não teve, passou adiante!
Partículas nossas, átomos, voltarão à Natureza. Pode ser até que, voltando, façam parte das cores íntimas de uma pedra. Toda vez que vejo uma pedra, penso que pelo menos um de seus atomos já fez parte de um corpo que amou, matou, odiou... Deve ser por que vejo deus assim, espalhado na Natureza... a energia das coisas. A vida vale nada, nada não!
Um dia você cria coragem e fala. Um dia. Antes que seus átomos retornem à mineralidade da Natureza, você gritará um nome que traz sufocado em seu peito. E quando você voltar a ser rocha, qual será a sua cor? [Não, você não fala, mas você não é rocha agora!]. A cor da hesitação, qual é?!
A minha cor mineral será amarela, ou ocre, pois são as cores do tédio que me mata. Tédio de existir, tédio latente até nos meus átomos.
Um dia você cria coragem, e então, você fala, você grita. Pena, mas eu não posso esperar. This is a spinning world - sabia?!
Partículas nossas, átomos, voltarão à Natureza. Pode ser até que, voltando, façam parte das cores íntimas de uma pedra. Toda vez que vejo uma pedra, penso que pelo menos um de seus atomos já fez parte de um corpo que amou, matou, odiou... Deve ser por que vejo deus assim, espalhado na Natureza... a energia das coisas. A vida vale nada, nada não!
Um dia você cria coragem e fala. Um dia. Antes que seus átomos retornem à mineralidade da Natureza, você gritará um nome que traz sufocado em seu peito. E quando você voltar a ser rocha, qual será a sua cor? [Não, você não fala, mas você não é rocha agora!]. A cor da hesitação, qual é?!
A minha cor mineral será amarela, ou ocre, pois são as cores do tédio que me mata. Tédio de existir, tédio latente até nos meus átomos.
Um dia você cria coragem, e então, você fala, você grita. Pena, mas eu não posso esperar. This is a spinning world - sabia?!
O Forasteiro
Não importa o que eu faça: serei sempre um forasteiro entre circunstantes hostis, nasci com esta sina.
sábado, setembro 13, 2008
Agonia
Eu sou agônico - que posso fazer? Cresci com o sentido do Fim - "se tinha de morrer, para que nascer?" Minha visão primeira neste mundo, mostrada pela minha mãe, foi a cova de meu pai - sob o sol quente do Planalto Central do Brasil, eu vi o sentido último da vida - somos; sim, somos; mas somos seres para a Morte! Uau! Que visão para os meus quatro aninhos de vida! Hoje vejo que eu não teria capacidade para uma didática tão terrívelmente eficaz como a da minha mãe - ela golpeou, de uma vez por todas, qualquer tendência que eu pudesse ter para a vaidade!
Nunca - e como o lamento! - nunca agradeci à minha mãe por ela ter me tirado a venda escura dos olhos, ainda tão cedo - aos 4 anos de idade! Isto sim, é que é a verdadeira cura da cegueira! Desde então, sinto pena quem vive como se não fosse um ser para a morte, de quem gasta seus dias juntando, amelhando para o Vazio, para o Nada!
Este é o meu sentido para vida: ser agônico, permanentemente agônico, mas aprendendo a viver o gozo, a clareira luminosa de um instante!
Nunca - e como o lamento! - nunca agradeci à minha mãe por ela ter me tirado a venda escura dos olhos, ainda tão cedo - aos 4 anos de idade! Isto sim, é que é a verdadeira cura da cegueira! Desde então, sinto pena quem vive como se não fosse um ser para a morte, de quem gasta seus dias juntando, amelhando para o Vazio, para o Nada!
Este é o meu sentido para vida: ser agônico, permanentemente agônico, mas aprendendo a viver o gozo, a clareira luminosa de um instante!
Encontro
Pensando em voz alta...
Aquela linda flor caída na correnteza mais acima, acaba de entrar no remanso do rio onde eu estava a meditar sobre as coisas perdidas na cavalgada. Olhei-a flutuar no suave balanço da água... e na segunda volta que deu no rebojo da correnteza do remanso, estendi a mão, retirei-a da água e levei-a, úmida, até os meus lábios... ah, a carícia das suaves pétalas molhadas, o almíscar da fêmea flor em meus lábios, a magia do raro encontro... mas, descuidado, deixei que as águas a levassem de mim... perder é a lei do mundo!
Aquela linda flor caída na correnteza mais acima, acaba de entrar no remanso do rio onde eu estava a meditar sobre as coisas perdidas na cavalgada. Olhei-a flutuar no suave balanço da água... e na segunda volta que deu no rebojo da correnteza do remanso, estendi a mão, retirei-a da água e levei-a, úmida, até os meus lábios... ah, a carícia das suaves pétalas molhadas, o almíscar da fêmea flor em meus lábios, a magia do raro encontro... mas, descuidado, deixei que as águas a levassem de mim... perder é a lei do mundo!
Como pude?
"A glória do dever nasce da cabeça cortada do Amor" - Milan Kundera in "A Vida Está em Outro Lugar" -
E assim sendo, como pude deixar que tal coisa me acontecesse? Como pude? E pior, não aconteceu somente a mim, mas também a quem me amava... A faca estava na minha mão, fui eu o algoz de mim, do meu amor - Ah, a glória do dever tem gosto de morte!
E assim sendo, como pude deixar que tal coisa me acontecesse? Como pude? E pior, não aconteceu somente a mim, mas também a quem me amava... A faca estava na minha mão, fui eu o algoz de mim, do meu amor - Ah, a glória do dever tem gosto de morte!
terça-feira, agosto 05, 2008
Vastidão
Num vasto mar, um velho mar de idéias heterogêneas, é verdade, sobrenadam minhas agitadas terminações nervosas. E na suave declividade do ocaso, rebanhos de pensamentos meus apascentam-se na complexidade macia da paisagem. Ajeito no lombo cansado a minha parcela da carga do mundo, pois tenho minha particular maneira de ser ferido, e só então, só então, cingindo-me de alguma ousadia, ponho-me a modo de escrever.
Lamento
Ah, essa falta de sua voz!
Olha só, você precisava saber...
Às quatro da manhã,
Que absurdo — eu estava só!
Lembrei-me do que você me disse,
Que eu poderia ligar quando quisesse,
Quando me sentisse só!
Mas e agora, e agora?
Deito-me no lado frio de meu leito...
Olha só, você precisava saber...
Às quatro da manhã,
Que absurdo — eu estava só!
Lembrei-me do que você me disse,
Que eu poderia ligar quando quisesse,
Quando me sentisse só!
Mas e agora, e agora?
Deito-me no lado frio de meu leito...
segunda-feira, março 17, 2008
Não quero falar de...
Não quero falar de outra coisa: precisava saber onde habitar com você, onde pousar minha cabeça tão cansada, sem lhe onerar os passos. Não quero falar de outra coisa: precisava, mas precisava mesmo, entender você, entender suas razões (nem todas, é claro). Não quero falar de outra coisa: precisava entender por que você liga pra mim, quando eu já lhe disse que nada tenho a lhe oferecer... exceto essa minha tentativa de estar presente em seu mundo (em parte dele, pelo menos). Diante de nós dois, dos nossos passos, o Tempo abriu uma fratura... podemos então ser nesta breve duração - o proibido agora é nosso, vamos?
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
A Arte da Sedução Feminina
ah... se toda mulher compreendesse que a sedução começa quando ela reconhece [e acalenta] a fragilidade do homem! Ah... se isto fosse possível - eu seria seduzido a cada passo, a cada encontro, a cada entardecer!
A fina arte da sedução feminina vem de saber fazer-se essencial, necessária ao indisfarçado instante de fragilidade do homem!
A fina arte da sedução feminina vem de saber fazer-se essencial, necessária ao indisfarçado instante de fragilidade do homem!
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